As possíveis origens do violão

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As origens do violão não são claras, pois existem diversas hipóteses. As teorias
mais aceitas entre os violonistas atualmente são duas:

1ª hipótese - o violão seria derivado do antigo alaúde árabe que foi levado para a
península Ibérica através das invasões muçulmanas, sob o comando de Tariz. Os
mouros islamizados do Maghreb penetraram na Espanha e conseguiram vencer o rei
visigodo Rodrigo, na Batalha de Guadalete. A conquista da península se deu em c.
711-718, sendo formado um emirado subordinado ao califado de Bagdá. O alaúde árabe
que penetrou na península na época das invasões, foi uma instrumento que se adaptou
perfeitamente às atividades da corte.

2ª hipótese - Ao mesmo tempo, o violão seria derivado da chamada “Khetara grega”,
que com o domínio do Império Romano passou a se chamar “Cítara romana”, era também
denominada de “Fidícula”. Teria chegado à Península Ibérica por volta do século I
d.C. com os romanos. Este instrumento se assemelhava à “lira” e, posteriormente foram
acontecendo as seguintes transformações: os seus braços dispostos da forma de
lira foram se unindo, formando uma caixa de ressonância, a qual foi acrescentando
um braço de três cravelhas e três cordas, e a esse braço foram feitas divisões
transversais (trastes) para que se pudesse obter de uma mesma corda várias
notas. E, por fim, esse instrumento começou a ser tocado na posição horizontal, com o
que ficam estabelecidas as principais características do violão.

A música própria da nações conquistadoras exerceu decisiva influência nos países
invadidos, tanto pelas qualidades intrínsecas como pela diuturnidade de sua
implantação.

Assim foi primordial a herança da música árabe na Espanha apesar da influência
greco-romana. Ao contrário de outros países da Europa, não obstante uma influência
árabe, é a música grega-oriental que predominou.

Do choque destas tendências brotou a música européia, cantada e tocada por
trovadores e menestréis na Idade Média.

Os primeiros menestréis cantavam sua melodias sobre um fundo mais ou menos
simples, executado em sua viola ou em seu alaúde, e foram os principais
propagadores da música profana.

Acredita-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o
alaúde árabe viveram mutuamente na Espanha. Isso pode-se comprovar pelas
descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão
(1221-1284), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das
ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez
comprovar que no século XIII existiam dois instrumentos distintos convivendo
juntos. O primeiro era chamado de “guitarra moura” e era derivado do alaúde
árabe. Este instrumento possuía o formato oval, desenhos e incrustações árabes;
possuía três pares de cordas e era tocado com um plectro (palheta); possuía um
som ruidoso. O outro era chamado de “guitarra latina” derivado da Khetara grega.
Ele tinha o formato de 8 com incrustações laterais, o fundo era plano e possuía
quatro pares de cordas. Era tocado com os dedos e seu som era suave, sendo que o
primeiro estava nas mãos de um instrumentista árabe e o segundo, de um
instrumentista com aparência romana. Isso mostra claramente as origens bem
distintas dos instrumentos, uma árabe e outra grega, que coexistiram nessa época
na Espanha. Observa-se, portanto, como a origem e a evolução do violão estiveram
intimamente ligadas à Espanha e a sua história.

Até o século XVI, a Espanha esteve isolada do resto da Europa devido à ocupação
pelos mouros (desde 711 D.C.), que só terminou com a sua expulsão em 1492. Com a
união das coroas dos países Baixos e da Espanha com Carlos V, proporcionou-se o
intercâmbio entre músicos espanhóis e flamengos. E, a partir de 1500 encontramos
uma escola de compositores espanhóis que baseavam suas obras nas idéias dos
holandeses.

Outra característica que marcou este período foi a ascensão da música
instrumental. Somente a partir desta época os compositores se interessaram
seriamente em escrever música instrumental, apesar de uma música poder ser
tocada por várias formações instrumentais diferenciadas. Os instrumentos mais
comuns eram o alaúde, a vihuela, a guitarra, as violas, a flauta doce e os
vários instrumentos de teclado.
As referências bibliográficas deste texto podem ser encontradas no trabalho
completo disponível em nossa página "Empório",
"O Violão Paulistano na Década de 30" de Cláudio Sant´Ana.
 

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