O Violão na década de 30 - II

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O violão sempre esteve presente também no cotidiano da sociedade. Independente
de qual a classe social o músico pertença, o violão, desde o século XVI, é um
instrumento de fácil aprendizado e fácil adaptação a qualquer ritmo e, sendo de
baixo custo e de fácil transporte, encontrado junto do povo paulistano em toda
a área urbana de São Paulo.
Como vimos anteriormente, o mesmo violão esteve e está até os dias de hoje
presente em todas as manifestações musicais do povo, sejam elas religiosas ou
profanas. Presente nas festas dos padroeiros das igrejas e na formação do samba
urbano nos dias de carnaval, o violão somente deixou de ser usado nas ruas
quando, em detrimento de conduzir um maior número de pessoas, a percussão aumenta
o número de componentes ensurdecendo o violão e o cavaquinho.
Usado principalmente pela classe operária, foi amplamente usado durante o
carnaval nos chamados grupos de choro que, ao longo da década de trinta será
chamado de Regionais pelas rádios. Estes grupos de choro tinham a mesma
constituição instrumental dos grupos de serestas e estudantes paulistas do
século passado. O grupo de choro da Camisa Verde, segundo Zezinho da Casa Verde,
em 1914 tinha seis violões, seis ou sete cavaquinhos, saxofone e clarinete.
Esses grupos de choro, quando fora da época de carnaval, tocavam nos finais de
semana nos fundos das casas. Aos domingos, as chamadas rodas de choro ou de
pagode (um tipo de samba de roda improvisado) tornaram-se verdadeiras escolas
do violão tipicamente brasileiro.
A partir da década de 30 muitos cordões carnavalescos já não traziam consigo os
grupos de choro. Um bom exemplo é a Vai-Vai. Sobre a organização destes grupos
na década de 30, Mário de Andrade nos dá uma boa descrição:

"Posso afirmar com bastante certeza que o samba, como o jongo não congrega
instrumentos acompanhantes com a menor intenção de obter qualquer espécie de
pequena orquestra. O instrumento usado é exclusivamente de percussão, e quem quer
concorre a ele com instrumento que quer".[ANDRADE, Mário de, Ensaio sobre a
Música Brasileira, São Paulo: Livraria Martins Editora, 1928 p. 190]

No entanto, o desaparecimento dos grupos de choro dos cordões carnavalescos não
foi de imediato e sim gradativo. Ao longo dos anos os instrumentos melódicos - de
menor volume sonoro - foram dando lugar aos instrumentos de percussão que,
conforme afirmamos anteriormente, com maior volume eram necessários para a
condução do maior número de foliões. Mario de Andrade relate essa transição:

"Os instrumentos que aparecem no samba, e já comercializados, são apenas o bumbo
e a caixa(...) Em 1934 o instrumental era mais precário e desorganizado. Havia
até um violão, de resto absolutamente nulo.(...) Um dos negros carregava um
cavaquinho. Não o tocava não, penosamente inútil na barulheira".
[ANDRADE, Mário de,  Op. Cit., p. 194-195]


As referências bibliográficas deste texto podem ser encontradas no trabalho
completo disponível em nossa página "Empório",
"O Violão Paulistano na Década de 30" de Cláudio Sant´Ana.
 

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