O Violão no Período Colonial e no Império - II

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Igreja do Bom Jesus do Brás - Aquarela de J. Wasth Rodrigues - Acervo DPH/SP

A cidade de São Paulo mantém uma particularidade histórica em relação as demais
capitais brasileiras. Devido a sua localização geográfica e aos sucessivos ataques
de indígenas à vila de Piratininga, São Paulo permanecerá durante quase dois séculos
uma pequena vila de descendentes de portugueses e espanhóis esquecida do resto do
país. As mercadorias trazidas da Metrópole eram difíceis de serem obtidas. Tecidos
eram raros.

A maioria dos hábitos dos paulistanos era, em grande parte, contribuição
dos indígenas. Com isso imaginamos que realmente o passatempo predileto e possível
nesta vila fosse mesmo as cantorias.
Ao longo do século XVIII, a vila de Piratininga foi quase dada como abandonada.
Sua população decresceu em relação as demais vilas da capitania como Itú, Sorocaba
e Taubaté.

Tal fato deveu-se ao movimento das Bandeiras. A maioria dos paulistanos se
locomoviam ao interior do país em busca de escravos e posteriormente em busca de
ouro e pedras preciosas.

São Paulo só voltará a crescer com a fundação do curso de direito no largo de São
Francisco já no século XIX.
Rua de São Paulo - Arquivo de Negativos/ DPH
Ao longo destes três séculos é bem provável que a prática de cantar acompanhado da
viola ou da guitarra se manteve presente no cotidiano da população. No entanto quase
não existe registro desses instrumentos. Segundo a pesquisa realizada por Ernani
Silva Bruno, Alcântara Machado - que pesquisou vários inventários do período
colonial de São Paulo - achou pouquíssimos instrumentos mencionados nos inventários.
Segundo Bruno, ele encontrou somente seis violas de pinho do Reino, ‘com tastos de
cordas’, uma guitarra, uma ‘harpa velha com sua chave’ e uma ‘citara com roda de
rendas’. 

Acreditamos que a ausência desses instrumentos junto aos inventários paulistanos se
dá através da provável doação desses instrumentos, ou seja, iam passando de mão em
mão, de gerações a gerações.

As referências bibliográficas deste texto podem ser encontradas no trabalho
completo disponível em nossa página "Empório",
"O Violão Paulistano na Década de 30" de Cláudio Sant´Ana.
 

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